A “Royal College of art” teve seu inicio em 1837, com o nome de “Government School of Design”. Em 1851, abrangeu-se para ser entendida como escola de arte e design. E somente em 1896, tornou-se a Royal College of art. Localizada em Londres, e conhecida como uma das mais influentes escolas de pós-graduação nas áreas de artes e design.
Na área de design de interação, a RCA produz designs que se adéquam a realidade tecnológica em que vivemos. Os alunos são instigados a pensar a tecnologia no meio social e cultural de forma a perceber suas influencias, mas sem esquecer que o principal objetivo dessa escola são as pessoas. O objetivo de ver o designer e o consumidor enquanto pessoas e integrantes de uma situação que irá promover a interação.
Destaco o trabalho de Kjen Wilkens, intitulado Sensor Poetics. “E se pudéssemos criar câmera do clima e não uma câmera de fotos?” Dentro da discussão do design que instiga os sentidos, essa câmera é capaz de registrar não apenas a foto do ambiente do fotógrafo, mas também a temperatura, a luz, a umidade, a qualidade do ar e a velocidade do vento. Aqui os aparelhos eletrônicos “sentem” o tempo e são capazes de contar história sobre um dia qualquer em nossas vidas para o futuro.
A questão do design relacionado com as sensações do momento é um assunto interessante e que envolve muitas discussões. Mas deixar para um objeto a possibilidade de nos relacionar com o passado a partir de analises físicas do ambiente, não estaria nos deixando muito apegados à dados do momento e pouco com a situação que ocorre, que não faz parte de uma análise concreta das condições do ambiente? Será que é preciso mesmo uma maquina que mostre as analises objetivas do momento sendo que o meu olhar sobre a foto é capaz de distinguir qual era a dinâmica do espaço? Seria isto esquecer que meu olhar sobre uma foto é subjetivo?
O argumento de que as pessoas relacionam condições climáticas com situações, não significa que é necessário que se informe dados do ambiente. Quando tiramos uma foto, já nos condicionamos ao que o espaço nos oferece. Se a luz solar está mais para a direita, ou se a chuva cai ao fundo, se está escuro, se está muito claro, se está calor, se está frio, se há vento ou não. Esses detalhes são quase que artisticamente colocados na imagem, não é necessário que uma câmera nos informe aquilo que somos capazes de notar. Além de que nossa sensação térmica, nossa tentativa de analisar o ambiente pela posição da câmera, ou pela possibilidade de se dar zoom, ou pela alternativa de se aumentar a saturação, o brilho, até mesmo inverter a escala de cores, ou de tons, já revela nossa leitura sobre a situação que nos envolve. Essa leitura não é de forma alguma objetiva e pode talvez ter alguma ligação com o tempo climático, mas não é determinada por dados.
Colocar este tipo de dado a uma imagem, de forma a complementar nossa memória, estaria, de alguma forma, nos deixando dependentes da leitura da câmera.






0 comentários:
Postar um comentário