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domingo, 3 de outubro de 2010

Adriana Varejão

A artista plástica carioca, Adriana Varejão, faz parte de um grupo seleto de artistas brasileiros reconhecidos, ao lado de Vik Muniz e Cildo Meirelles. trabalhando com simbolos e signos que dão embasamento a sua obra. Peles rasgadas, interiores à mostra, trabalhos com "carne" e tentativa de estreitamento com referencias da arte colonial e barroca brasileira provocam a sensação de estranhamento, que a projetaram entre um dos principais nomes das artes comtemporâneas brasileiras.
O primeiro contato com o barroco de Adriana Varejão foi a partir de um livro de igrejas barrocas no Brasil. Teve a oportunidade de conhecer Ouro Preto, onde reafirmou sua vontade de trabalhar com as referencias barrocas  e que definiu o que a matéria daquelas igrejas e sua historia provocavam nas suas idéias.
Quanto a carne. Para a artista, "o conceito de carne em sua obra está mais ligada ao espaço da abundância e do desperdício em função do prazer e da luxúria, a carne é uma metáfora da talha barroca, coberta de ouro." (http://colunistas.ig.com.br/monadorf/tag/adriana-varejao/)
Em Inhotim, Adriana, tem um pavilhão dedicado a um pouco de seu legado. Lá se encontra a obra "celacanto provoca maremoto" que traduz, em linhas gerais, a influencia colonial de Portugal no Brasil colonia. São vários qudros trabalhados para dar a sensação de que são azuleijos. O trabalho é tão refinado que, a um primeiro olhar menos atento, não percebemos que as telas se tratam de pinturas. A abundanca do azul e as formas arredondadas, que lembram ondas, parecem nos levar aos mares que fizeram a ligação entre os dois continentes. Os anjos já caracterizam toda a questão barroca em que a artista sempre esteve de certa forma envolvida.
Antes dessa obra, no andar inferior do pavilhão, nos deparamos com um cenário viscoso, que lembra carnificina. Onde, de fato, é a "carne" (material produzido com aparencia de carne) que é utilizada como material de construção de um muro com aparência de demolição. Aqui ocorre o rumor de uma historia: quando um bordel de uma favela desabou enquanto um casal fazia amor. Há a tentativa de levar ao máximo a abstração entre corpos e escombros misturando-se.
Adriana vale-se muito bem dos simbolos e das suas fontes. Porém, até que ponto a arte valer-se do conhecimento prévio do admirador pode ser considerada cem porcento resolvida? A auto-sustentabilidade da arte pode ser essencial quanto lembramos que os fatos historicos são tantos, que nem sempre temos consciencia de qual ela tenta se referir. A arte foge um tanto da sua face sensitiva pra uma outra muito mais racional, interpretativa e simbolica, que elitiza, de certa forma, o acesso. O que estou querendo questionar é se é realmente completa a arte que se vale de outros elementos que não sao a própria sensibilidade, como um texto explicativo do que houve na época.
Há um outro questionamento pertinente, não quanto a própria obra em sí, mas ao posicionamento das peças no pavilhão em que as obras de Adriana Varejão se encontram. Há um parte em que olhamos para o teto e reconhecemos plantas carnivoras, pintadas de vermelho, também com aparência de azuleijos. A simbologia e o trabalho que ela teve em cima dessas obras não são valorizadas pela suas posições, que não são nada estratégicas. Ao adentrar o ambiente o visitante necessita que alguem diga que deve-se olhar para cima para ver outra obra. E não é qualquer "cima", é um lugar mais ao canto, que não permite que nossa visão periférica capte a intenção.
Mesmo que minhas observações não tenham parecido serm muito favoráveis, Adriana Varejão é um dos maiores nomes da arte brasileira, sendo reconhecida tambem à nivel internacional. Sua obra é marcante e impactante e merece uma visita. Um de seus trabalhos está exposto em Inhotim, Brumadinho, MG.

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