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quarta-feira, 13 de outubro de 2010

FAD - Festival de artes digitais

Na quinta feira, dia 2 de setembro, fui ao Fad conferir as atrações. O festival de artes digitais (FAD) foi idealizado pelo DJ Tee (a.k.a. Tadeus Mucelli) e pelo VJ 1mpar (a.k.a. Henrique Roscoe), e está em sua quarta edição. O evento consiste em utilizar a tecnologia em prol da arte. Nas galerias o visitante interage com as criações e, a partir de uma curiosidade previa, vai descobrindo o que cada invenção oferece.
O evento estava sendo realizado no museu Oi futuro, que situa-se em uma área quase central de Belo Horizonte e de fácil acesso. Logo ao entrar no estabelecimento, o hall de entrada nos dá uma impressão audaciosa de design, utilizando o contraste entre um vermelho muito forte que cobre o chão e as paredes de forma continua, devido a suavização das quinas (onde seria o rodapé), e o branco o qual se estende em todo o teto. Depois passamos por um corredor que mantém a dinâmica do hall e nos introduz de certa forma que o que está por vir é algo diferente e inovador.


Após essa passagem, que se estende por um pequeno espaço de tempo, chegamos à galeria que está totalmente forrada de preto e que apresenta muitas divisões, estas tendem a ser paredes. O ambiente é escuro o que instiga nossa curiosidade, e nos apresenta vários caminhos.


A primeira instalação audiovisual interativa que tive contato foi um muro onde o visitante poderia pichar, sem utilizar tinta. Consistia em um sensor que captava o momento em que se apertava a lata de spray, assim, poderíamos pintar a parede sem necessitar manchá-la de fato. O interessante nesta obra é que o artista teve o cuidado de nos apresentar uma palheta de cores, onde poderíamos trocar a cor da tinta. Claro que a idéia de não estar sujando a parede é interessante, mas tenho duvidas quanto a praticidade. O movimento dos pichadores visa deixar uma marca no contexto urbano, e a pichação virtual contraria por um lado essa idéia, pois a marca não existiria realmente e não transgrediria de alguma forma as questões sociais envolvidas nisso. Por um outro, subverteria este movimento à níveis eletrônicos levando-os a uma etapa mais aprimorada nos meios de comunicação da sociedade atual, mas, ainda assim, não creio que o desenvolvimento dessa ferramenta possa apresentar uma mudança expressiva na atitude “pichadora”, por não se tratar de um meio urbano passível de mudanças. Pois a internet já é extremamente flexível.


Uma outra instalação consistia em um emaranhado de luzes que se ascendiam em sincronia ou com o som ou com o movimento. As posições dos fios que continham varias lâmpadas pequenas de luz, criava um efeito visual muito interessante e agia em sincronia com um efeito de sons. A questão quanto a essa obra é que não me pareceu claro quanto a que as luzes estavam correlacionadas. Se era com o som ou com os movimentos das pessoas que passavam por entre os fios. Mas mesmo que isso não tenha sido evidente, esta obra foi uma das que mais chamavam a atenção dos visitante, pelo que pude notar.


Bem, estes são poucos exemplos de como a arte esta criando novas formas de se comunicar com as pessoas. Desenvolvendo métodos de aproximação via tecnologia e interatividade.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Interagindo com pinturas

O alemão Edgar Muller, nascido em 1968, dedica seu talento para pintar nas ruas. Suas obras, de grande formato, trabalham com a visão perspectiva das pessoas e cria ilusões óticas tridimensionais. Suas pinturas brincam com o universo do sonho e trazem a possibilidade de se fazer uma aproximação entre o que é sonho e o que é real.
A questão da interatividade é explicita. As pessoas que passam por sua obra não deixam de notá-la e de até brincar com aquele novo plano ilusório. O interessante é que é um tipo de obra que é acessível e não é totalmente necessário conhecimento prévio, para poder compreender a sensação que aquele "objeto" provoca. Assim, cria-se um cenário onde o transeunte não apenas passa pela obra, e sim faz parte _ o que parece ser um tanto deseafiador na area da pintura.

domingo, 3 de outubro de 2010

Adriana Varejão

A artista plástica carioca, Adriana Varejão, faz parte de um grupo seleto de artistas brasileiros reconhecidos, ao lado de Vik Muniz e Cildo Meirelles. trabalhando com simbolos e signos que dão embasamento a sua obra. Peles rasgadas, interiores à mostra, trabalhos com "carne" e tentativa de estreitamento com referencias da arte colonial e barroca brasileira provocam a sensação de estranhamento, que a projetaram entre um dos principais nomes das artes comtemporâneas brasileiras.
O primeiro contato com o barroco de Adriana Varejão foi a partir de um livro de igrejas barrocas no Brasil. Teve a oportunidade de conhecer Ouro Preto, onde reafirmou sua vontade de trabalhar com as referencias barrocas  e que definiu o que a matéria daquelas igrejas e sua historia provocavam nas suas idéias.
Quanto a carne. Para a artista, "o conceito de carne em sua obra está mais ligada ao espaço da abundância e do desperdício em função do prazer e da luxúria, a carne é uma metáfora da talha barroca, coberta de ouro." (http://colunistas.ig.com.br/monadorf/tag/adriana-varejao/)
Em Inhotim, Adriana, tem um pavilhão dedicado a um pouco de seu legado. Lá se encontra a obra "celacanto provoca maremoto" que traduz, em linhas gerais, a influencia colonial de Portugal no Brasil colonia. São vários qudros trabalhados para dar a sensação de que são azuleijos. O trabalho é tão refinado que, a um primeiro olhar menos atento, não percebemos que as telas se tratam de pinturas. A abundanca do azul e as formas arredondadas, que lembram ondas, parecem nos levar aos mares que fizeram a ligação entre os dois continentes. Os anjos já caracterizam toda a questão barroca em que a artista sempre esteve de certa forma envolvida.
Antes dessa obra, no andar inferior do pavilhão, nos deparamos com um cenário viscoso, que lembra carnificina. Onde, de fato, é a "carne" (material produzido com aparencia de carne) que é utilizada como material de construção de um muro com aparência de demolição. Aqui ocorre o rumor de uma historia: quando um bordel de uma favela desabou enquanto um casal fazia amor. Há a tentativa de levar ao máximo a abstração entre corpos e escombros misturando-se.
Adriana vale-se muito bem dos simbolos e das suas fontes. Porém, até que ponto a arte valer-se do conhecimento prévio do admirador pode ser considerada cem porcento resolvida? A auto-sustentabilidade da arte pode ser essencial quanto lembramos que os fatos historicos são tantos, que nem sempre temos consciencia de qual ela tenta se referir. A arte foge um tanto da sua face sensitiva pra uma outra muito mais racional, interpretativa e simbolica, que elitiza, de certa forma, o acesso. O que estou querendo questionar é se é realmente completa a arte que se vale de outros elementos que não sao a própria sensibilidade, como um texto explicativo do que houve na época.
Há um outro questionamento pertinente, não quanto a própria obra em sí, mas ao posicionamento das peças no pavilhão em que as obras de Adriana Varejão se encontram. Há um parte em que olhamos para o teto e reconhecemos plantas carnivoras, pintadas de vermelho, também com aparência de azuleijos. A simbologia e o trabalho que ela teve em cima dessas obras não são valorizadas pela suas posições, que não são nada estratégicas. Ao adentrar o ambiente o visitante necessita que alguem diga que deve-se olhar para cima para ver outra obra. E não é qualquer "cima", é um lugar mais ao canto, que não permite que nossa visão periférica capte a intenção.
Mesmo que minhas observações não tenham parecido serm muito favoráveis, Adriana Varejão é um dos maiores nomes da arte brasileira, sendo reconhecida tambem à nivel internacional. Sua obra é marcante e impactante e merece uma visita. Um de seus trabalhos está exposto em Inhotim, Brumadinho, MG.

Performance no meio urbano



Setembro de 2010 :)