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quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Interagindo com pinturas

O alemão Edgar Muller, nascido em 1968, dedica seu talento para pintar nas ruas. Suas obras, de grande formato, trabalham com a visão perspectiva das pessoas e cria ilusões óticas tridimensionais. Suas pinturas brincam com o universo do sonho e trazem a possibilidade de se fazer uma aproximação entre o que é sonho e o que é real.
A questão da interatividade é explicita. As pessoas que passam por sua obra não deixam de notá-la e de até brincar com aquele novo plano ilusório. O interessante é que é um tipo de obra que é acessível e não é totalmente necessário conhecimento prévio, para poder compreender a sensação que aquele "objeto" provoca. Assim, cria-se um cenário onde o transeunte não apenas passa pela obra, e sim faz parte _ o que parece ser um tanto deseafiador na area da pintura.

domingo, 3 de outubro de 2010

Adriana Varejão

A artista plástica carioca, Adriana Varejão, faz parte de um grupo seleto de artistas brasileiros reconhecidos, ao lado de Vik Muniz e Cildo Meirelles. trabalhando com simbolos e signos que dão embasamento a sua obra. Peles rasgadas, interiores à mostra, trabalhos com "carne" e tentativa de estreitamento com referencias da arte colonial e barroca brasileira provocam a sensação de estranhamento, que a projetaram entre um dos principais nomes das artes comtemporâneas brasileiras.
O primeiro contato com o barroco de Adriana Varejão foi a partir de um livro de igrejas barrocas no Brasil. Teve a oportunidade de conhecer Ouro Preto, onde reafirmou sua vontade de trabalhar com as referencias barrocas  e que definiu o que a matéria daquelas igrejas e sua historia provocavam nas suas idéias.
Quanto a carne. Para a artista, "o conceito de carne em sua obra está mais ligada ao espaço da abundância e do desperdício em função do prazer e da luxúria, a carne é uma metáfora da talha barroca, coberta de ouro." (http://colunistas.ig.com.br/monadorf/tag/adriana-varejao/)
Em Inhotim, Adriana, tem um pavilhão dedicado a um pouco de seu legado. Lá se encontra a obra "celacanto provoca maremoto" que traduz, em linhas gerais, a influencia colonial de Portugal no Brasil colonia. São vários qudros trabalhados para dar a sensação de que são azuleijos. O trabalho é tão refinado que, a um primeiro olhar menos atento, não percebemos que as telas se tratam de pinturas. A abundanca do azul e as formas arredondadas, que lembram ondas, parecem nos levar aos mares que fizeram a ligação entre os dois continentes. Os anjos já caracterizam toda a questão barroca em que a artista sempre esteve de certa forma envolvida.
Antes dessa obra, no andar inferior do pavilhão, nos deparamos com um cenário viscoso, que lembra carnificina. Onde, de fato, é a "carne" (material produzido com aparencia de carne) que é utilizada como material de construção de um muro com aparência de demolição. Aqui ocorre o rumor de uma historia: quando um bordel de uma favela desabou enquanto um casal fazia amor. Há a tentativa de levar ao máximo a abstração entre corpos e escombros misturando-se.
Adriana vale-se muito bem dos simbolos e das suas fontes. Porém, até que ponto a arte valer-se do conhecimento prévio do admirador pode ser considerada cem porcento resolvida? A auto-sustentabilidade da arte pode ser essencial quanto lembramos que os fatos historicos são tantos, que nem sempre temos consciencia de qual ela tenta se referir. A arte foge um tanto da sua face sensitiva pra uma outra muito mais racional, interpretativa e simbolica, que elitiza, de certa forma, o acesso. O que estou querendo questionar é se é realmente completa a arte que se vale de outros elementos que não sao a própria sensibilidade, como um texto explicativo do que houve na época.
Há um outro questionamento pertinente, não quanto a própria obra em sí, mas ao posicionamento das peças no pavilhão em que as obras de Adriana Varejão se encontram. Há um parte em que olhamos para o teto e reconhecemos plantas carnivoras, pintadas de vermelho, também com aparência de azuleijos. A simbologia e o trabalho que ela teve em cima dessas obras não são valorizadas pela suas posições, que não são nada estratégicas. Ao adentrar o ambiente o visitante necessita que alguem diga que deve-se olhar para cima para ver outra obra. E não é qualquer "cima", é um lugar mais ao canto, que não permite que nossa visão periférica capte a intenção.
Mesmo que minhas observações não tenham parecido serm muito favoráveis, Adriana Varejão é um dos maiores nomes da arte brasileira, sendo reconhecida tambem à nivel internacional. Sua obra é marcante e impactante e merece uma visita. Um de seus trabalhos está exposto em Inhotim, Brumadinho, MG.

Performance no meio urbano



Setembro de 2010 :)

domingo, 19 de setembro de 2010

David Belle- Rush Hour BBC



Este comercial produzido para o canal BBC, é uma soma de mensagens subliminares, de uma produção bem feita e que utilizou bem o conceito de Parkour.
Já nos primeiros segundos de vídeo, percebemos uma imagem nitida de um samurai em algum tipo de contexto urbano ao fundo, o que já introduz a idéia geral de luta contra a cidade, ou na cidade. E sequentemente reconhecemos a figura de um executivo em seu escritório, com um leve som de movimento de onibus e carros ao fundo, o qual tira seu terno e se encaminha para a janela. Neste momento começa a prática do parkour que vem aperfeiçoada por uma edição de efeitos de camera que enfatizam como o exercício dessa atividade dá ao executivo liberdade, tempo e hagilidade em face das pessoas e do movimento lento e monótono dos que se encontram nas ruas e que seguem o fluxo pré-determinado pela malha urbana. É válido notar que a edição do vídeo foi tão bem feita, que a olhares menos atentos não é possível perceber que o prédio no qual o executivo sobe no inicio, não é o mesmo em que a primeira imagem foi filmada.
Em seu percurso, os obstáculos iam sendo superados de maneira que parecia ser leve e realmente libertador. Esse sentimento de leveza foi potencializado por uma questão sonora. Nos vídeos correntes na internet sobre o parkour, geralmente encontramos um tipo musica mais agressiva, um rock, um metal, que se aproximam bem da ideia de adrenalina que a atividade causa. Nesta produção, no entanto, a música tem um ar de tranquilidade e apresenta uma batida até gostosa, a qual nos passa a sensação de que ele nem está "sofrendo" para superar os obstáculos.
Alguns detalhes sequenciais nos passam algumas pequenas mensagens as quais não são notadas pelo nosso consciente com tanta facilidade. Uma parte interessante dessa sequencia de situações, é o momento em que o executivo pula na sacada de uma residencia e no interior desta havia uma mulher nua, e nem por isso ele parou para olhar para ela. Em outra parte, ele esbarra em uma antena e atrapalha a imagem de um garoto que assistia um desenho animado, aí ele pára, conserta o estrago e continua seu caminho. Essas pequenas coisas são intencionais e podem ser entendidas como a politica do "bom camarada". Ou seja, eu posso estar seguindo meu caminho por um meio alternativo, mais rápido e eficiente, mas não tramsgrido as leis formais da sociedade.
Por fim, após lançar várias mensagens e ritmar toda a questão musical: momentos em que a musica pára e há um efeito de camara lenta durante a um salto, ou quando a musica começa ao ligar o sinal. E demarcar os fatos de forma a parecer que são uma sequencia única e não vários vídeos editados e superpostos. O executivo atinge seu objetivo: uma sala de estar, com uma televisão com controle remoto, e lança-se o logotipo da BBC ( The one, BBC one), um momento em que toda a retrospectiva mental do que foi visto, passam a fazer parte da nossa visão sobre o canal de tv.