Este comercial produzido para o canal BBC, é uma soma de mensagens subliminares, de uma produção bem feita e que utilizou bem o conceito de Parkour.
Já nos primeiros segundos de vídeo, percebemos uma imagem nitida de um samurai em algum tipo de contexto urbano ao fundo, o que já introduz a idéia geral de luta contra a cidade, ou na cidade. E sequentemente reconhecemos a figura de um executivo em seu escritório, com um leve som de movimento de onibus e carros ao fundo, o qual tira seu terno e se encaminha para a janela. Neste momento começa a prática do parkour que vem aperfeiçoada por uma edição de efeitos de camera que enfatizam como o exercício dessa atividade dá ao executivo liberdade, tempo e hagilidade em face das pessoas e do movimento lento e monótono dos que se encontram nas ruas e que seguem o fluxo pré-determinado pela malha urbana. É válido notar que a edição do vídeo foi tão bem feita, que a olhares menos atentos não é possível perceber que o prédio no qual o executivo sobe no inicio, não é o mesmo em que a primeira imagem foi filmada.
Em seu percurso, os obstáculos iam sendo superados de maneira que parecia ser leve e realmente libertador. Esse sentimento de leveza foi potencializado por uma questão sonora. Nos vídeos correntes na internet sobre o parkour, geralmente encontramos um tipo musica mais agressiva, um rock, um metal, que se aproximam bem da ideia de adrenalina que a atividade causa. Nesta produção, no entanto, a música tem um ar de tranquilidade e apresenta uma batida até gostosa, a qual nos passa a sensação de que ele nem está "sofrendo" para superar os obstáculos.
Alguns detalhes sequenciais nos passam algumas pequenas mensagens as quais não são notadas pelo nosso consciente com tanta facilidade. Uma parte interessante dessa sequencia de situações, é o momento em que o executivo pula na sacada de uma residencia e no interior desta havia uma mulher nua, e nem por isso ele parou para olhar para ela. Em outra parte, ele esbarra em uma antena e atrapalha a imagem de um garoto que assistia um desenho animado, aí ele pára, conserta o estrago e continua seu caminho. Essas pequenas coisas são intencionais e podem ser entendidas como a politica do "bom camarada". Ou seja, eu posso estar seguindo meu caminho por um meio alternativo, mais rápido e eficiente, mas não tramsgrido as leis formais da sociedade.
Por fim, após lançar várias mensagens e ritmar toda a questão musical: momentos em que a musica pára e há um efeito de camara lenta durante a um salto, ou quando a musica começa ao ligar o sinal. E demarcar os fatos de forma a parecer que são uma sequencia única e não vários vídeos editados e superpostos. O executivo atinge seu objetivo: uma sala de estar, com uma televisão com controle remoto, e lança-se o logotipo da BBC ( The one, BBC one), um momento em que toda a retrospectiva mental do que foi visto, passam a fazer parte da nossa visão sobre o canal de tv.
Devido a um debate feito entre os alunos do primeiro período da faculdade de arquitetura da UFMG, foi considerada uma questão importante sobre a "deriva".
Este procedimento de ocupação e observação do ambiente não visa a criação de uma nova arquitetura e não propõe uma modificação da malha urbana. Em sua essencia, a idéia é de sistematização do espaço. A apropriação deve ocorrer de maneira a se criar uma situação, independente das condiçoes fisicas não agradarem. Ou seja, é a forma como lidamos com o que está em nossa volta e como nos inserimos no contexto sem precisar modificá-lo.
O Flash Mob consiste em manifestaçoes populares, combinadas previamente, para realizar alguma ação inusitada no espaço publico. Seu objetivo é causar impacto surpreendendo as pessoas que estão por perto.
Le Parkour
O Parkour é uma atividade de habilidade e superação onde deve-se superar os obstaculos de determinados espaços utilizando o próprio corpo de maneira mais rápida.
Para tanto é necessária uma prévia observação do espaço para que os movimentos sejam melhor realizados, renovando a ideia de ocupaçao e as vezes dando um significado novo a lugares que antes não eram percebidos, como muros e bancos.
Deriva
"A deriva é um procedimento de estudo psicogeográfico – estudar as ações do ambiente urbano nas condições psíquicas e emocionais das pessoas. Partindo de um lugar qualquer e comum à pessoa ou grupo que se lança à deriva deve rumar deixando que o meio urbano crie seus próprios caminhos."
De uma forma mais simples, a pessoa que anda em um centro urbano, sob a perspectiva da deriva, segue um rumo de forma sensitiva tentando compreender as intençoes que a levaram para frente e não para a esquerda.
A teoria da deriva tem como objetivo a libertação do ser humano diante o espaço. Chega em reflexões quanto a construçao arquitetonica e a dinâmica urbana fazendo dos que transitam nas cidades agentes da construção de alguma forma.
'' (...) Para compreender a psicologia da rua não basta gozar-lhe as delícias como se goza o calor do sol e o lirismo do luar. É preciso ter espírito vagabundo, cheio de curiosidades malsãs e os nervos com um perpétuo desejo incompreensível, é preciso ser aquele que chamamos flâneur e praticar o mais interessante dos esportes — a arte de flanar." João do Rio
O termo Flâneur vem do substantivo francês ‘flâneur’, que tem o significado básico de “vagabundo”, “ocioso”. Mas Charles Baudelaire desenvolveu um significado ampliado de flâneur: “uma pessoa que anda pela cidade pela experiência, para conhecê-la”. O Flaneur se desloca sem destino a fim de observar o cotidiano urbano, captando mentalmente coisas e açoes do nosso cotidiano que passam muitas vezes despercebidos pelos que convivem em determinada rotina. O interessante é que ele, ao contrário dos seguidores do parkour por exemplo, tenta não se inserir no contexto do espaço, apenas atua como observador e suas conclusoes são consequencia das atitudes deliberadas das pessoas ou objetos que estão inseridos no local.